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    Acordo sobre comércio mundial é a 1ª vitória do brasileiro à frente da OMC


    Por: Sérgio Coutiy / sem data de publicação editada - 07/12/2013 00:00:00

    Veja quem é Roberto Azevêdo, responsável pelas negociações globais. Acordo entre países permite avanços na liberalização do comércio mundial.

  • Veja quem é Roberto Azevêdo, responsável pelas negociações globais. Acordo entre países permite avanços na liberalização do comércio mundial. O final feliz da reunião ministerial representa uma vitória pessoal do novo diretor-geral da OMC. Azevêdo assumiu as rédeas da organização em setembro, com a ambição de melhorar os resultados de seu antecessor, Pascal Lamy: fazer a Rodada de Doha avançar. "Pela primeira vez em sua história, a OMC cumpriu com suas promessas", declarou o diretor-geral da organização, o brasileiro Roberto Azevêdo. "Voltamos a introduzir a palavra 'mundial' na Organização Mundial do Comércio. Estou muito orgulhoso", acrescentou antes de fazer uma pausa para conter as lágrimas. Esse acordo global é o primeiro na história da organização, que nasceu após a conclusão da Rodada do Uruguai, em 1994 em Marrakech (Marrocos), encontro que abriu caminho para a criação da OMC um ano mais tarde. Azevêdo é o primeiro brasileiro e o primeiro latino-americano à frente do órgão que é responsável por supervisionar as trocas comerciais em todo o globo e que é, junto com ONU (Organização das Nações Unidas), FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Mundial, um dos principais organismos da política internacional. Diplomata de carreira, Azevêdo tem vasta experiência em comércio global e conhece a OMC a fundo. De 2008 a setembro de 2013, ele foi o representante permanente do Brasil na organização e esteve à frente do contencioso vencido pelo Brasil contra os Estados Unidos pelos subsídios do algodão e da vitória brasileira sobre a União Europeia pelos subsídios à exportação de açúcar. Azevêdo substituiu o francês Pascal Lamy na direção-geral do órgão e terá um mandato de quatro anos. Lamy, que estava no cargo desde 2005, terminou o mandato em setembro. O brasileiro foi escolhido mediante consulta aos 159 países membros. Nove candidatos se apresentaram para suceder Lamy. No fim de abril, a OMC comunicou que tinham passado à fase final apenas Azevêdo e o mexicano Hermínio Blanco. Perfil de conciliador Azevêdo tem vasta experiência em conflitos comerciais e ganhou reputação de hábil negociador e conciliador. Ele participou de quase todas as conferências ministeriais desde o lançamento, em 2001, das negociações de Doha sobre a liberalização do comércio mundial. Com 55 anos de idade e três décadas de diplomacia, Azevêdo nasceu em Salvador e é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade de Brasília (UNB). O diplomata começou a carreira no Itamaraty em 1983 e participou em 2001 da criação da Coordenadoria geral de contenciosos do Ministério das Relações Exteriores, que dirigiu por quatro anos. Em 2005, ele se tornou o chefe do departamento econômico do ministério e, de 2006 a 2008, foi sub-secretário geral de assuntos econômicos. Vitória do governo Dilma A escolha de Azevêdo para substituir o francês Pascal Lamy no comando da OMC representou também uma vitória do governo brasileiro. Durante a campanha, o brasileiro visitou mais de 60 países. Um website foi lançado para promover sua candidatura. A presidente Dilma Rousseff participou das negociaçoes, dando telefonemas e conversando com os líderes mundiais. Embora a vitória do Brasil seja mais simbólica, uma vez que o papel de Azevêdo será zelar pelos interesses da OMC e não os do país, a expectativa do Itamaraty é de que a conquista do cargo ajude a dar mais visibilidade a temas que interessam ao Brasil e a projetar o país no cenário internacional. Em nota divulgada em dezembro de 2012, na ocasião do lançamento do nome do diplomata, o Itamaraty destacou que "a candidatura brasileira representa a importância atribuída pelo país ao fortalecimento da OMC e procura contribuir para o progresso institucional da Organização e para o desenvolvimento econômico e social mundial". O Itamaraty também chamou a atenção para a Rodada de Doha, em que o Brasil negocia para derrubar subsídios agrícolas em países desenvolvidos como forma de dar mais competitividade às mercadorias do país. Criticado por causa de medidas consideradas protecionistas, o Brasil é hoje um defensor dos direitos dos países em desenvolvimento frente aos Estados Unidos e a UE, liderando ao lado da Índia o G20, grupo dos países em desenvolvimento. OMC vive impasse Criada nos anos 90 com o objetivo de agilizar as trocas globais de bens e serviço, a OMC vive atualmente um impasse nas negociações multilaterais. Para países em desenvolvimento, o que estancou o debate na Rodada de Doha - a negociação entre seus 159 países de um pacote de novas regras de liberalização e facilitação do comércio- foi a recusa dos EUA e Europa de discutir os subsídios a seus setores agrícolas. Europeus e americanos, porém, também criticam a resistência de outros países em ceder em questões como liberalização dos setor de serviços, proteções à propriedade intelectual e a concessão de preferência a produtos nacionais nas compras governamentais. Em entrevista à BBC, Azevêdo afirmou que o o sistema multilateral de comércio regulado pela OMC enfrenta um momento crítico, correndo o risco de perder sua legitimidade e até relevância se não se modernizar. "A prioridade, portanto, é recolocar o sistema multilateral no bom caminho, no caminho da relevância, onde os membros encontrem nele um foro negociador, que é a única maneira de você fazer com que as regras da OMC se atualizem, é negociando", afirmou.


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