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    Presidente da Funai deixa cargo após morte de índio


    Por: Sérgio Coutiy / sem data de publicação editada - 12/04/2019 01:34:19

    Brasília (AE) - Como consequência da crise causada pela morte do índio terena Oziel Gabriel há oito dias, durante ação da Polícia Federal para a desocupação de uma fazenda em Sidrolândia (MS), fato que teve forte repercussão internacional, a antropóloga Marta Maria Azevedo pediu ontem demissão da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai). Marta Azevedo alegou problemas de saúde. Em nota divulgada no início da noite, a Funai afirmou que "a decisão foi tomada por ela em virtude da necessidade de realizar tratamento médico, que é incompatível com a agenda de presidenta (do órgão)". Informações de bastidores, porém, eram de que a saída da dirigente da Funai teve como causa a morte do índio Oziel, o atentado a tiros contra outro terena - Joziel Gabriel - também em Sidrolândia, há três dias, e a resistência dos indígenas de várias etnias contrários à construção de hidrelétricas nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, no Mato Grosso e Pará. De acordo com o Ministério da Justiça, ao qual a Funai é vinculada, Marta Azevedo será substituída a partir de segunda-feira, 10, interinamente, pela diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Maria Augusta Assirati. A Funai informou que Maria Augusta começou a trabalhar no órgão a convite da antropóloga que se demitiu. "Maria Augusta e os demais diretores darão continuidade à missão da instituição na promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas, com o compromisso de fortalecimento da Funai, mantendo o amplo diálogo com os povos indígenas, servidores e demais setores do governo", afirmou a nota da Funai. Com a crise hoje instalada na Funai, o órgão pode perder poderes na condução da demarcação de terras indígenas, conforme informou no dia 3 o colunista de Política do Estado João Bosco Rabello. As sucessivas invasões de terras produtivas por indígenas e os conflitos em canteiros de obras importantes como a Hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, fizeram aumentar a pressão sobre o governo por parte dos produtores o petistas como o senador Delcídio Amaral (MS). Na semana passada ocorreu a morte do índio terena, durante a ação da PF, que cumpria mandato de reintegração de posse de área invadida. A crise só aumentou.


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