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    Bastos vê construção mental em acusação a ex-diretor do Banco Rural


    Por: Sérgio Coutiy / sem data de publicação editada - 12/04/2019 00:58:42

    José Roberto Salgado é acusado de liberar dinheiro para mensalão. Para advogado de Salgado, acusação não traz nenhum tipo de prova. No terceiro dia consecutivo destinado à defesa dos réus do processo do mensalão, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, advogado do ex-dirigente do Banco Rural José Roberto Salgado, disse nesta quarta-feira (8) que a denúncia de que a instituição concedeu empréstimos fictícios para abastecer o esquema do mensalão é uma construção mental Os empréstimos foram religiosamente pagos, rigorosamente saldados. E eles eram uma empresa importante, que depois foi destruída. A acusação diz que esses empréstimos eram feitos para não serem pagos. Nada mais longe da verdade, essa é uma construção mental que não tem sentido, que não se sustenta, afirmou Thomaz Bastos, que falou por quase uma hora na defesa de seu cliente. Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República, Salgado, como vice-presidente do Banco Rural, atuou para a liberação de empréstimos considerados fictícios. A empresa teria, de acordo com a acusação, interesses na liquidação do Banco Mercantil que poderia render R$ 1 bilhão ao Banco Rural. Por conta disso, sustentou o procurador, a instituição teria dado R$ 32 milhões em empréstimos supostamente fraudulentos para o grupo de Marcos Valério repassar a políticos votarem a favor do governo no Congresso. Tenta-se dizer terroristicamente, com todo respeito, que o motivo que levou o banco a dar aqueles três empréstimos foi o pote de ouro de R$ 1 bilhão [que o Banco Rural lucraria] quando o Banco Mercantil tivesse sua recuperação levantada, afirmou Thomaz Bastos, que chamou a acusação de algo absolutamente desprovido de senso. Ele disse ainda que, se fosse real, o ganho de R$ 1 bilhão seria equivalente à loteria esportiva. Ainda segundo o advogado, os empréstimos foram concedidos porque as empresas de Marcos Valério eram reconhecidas e que alguns empréstimos só não foram pagos porque as denúncias sobre o mensalão foram feitas. Violação da ampla defesa Em nota, o escritório de Márcio Thomaz Bastos contestou o fato de que a liquidação do Banco Mercantil não fez parte da acusação inicial e que, portanto, levantar a questão durante o julgamento seria violação ao direito à ampla defesa. Caso a acusação tivesse sido colocada desde o momento da denúncia, já se teria esclarecido, demonstrado e provado que a tese do procurador não se sustenta, afirma a nota. Falsário. Ainda de acordo com Thomaz Bastos, o procurador não apontou nenhuma conduta individual de José Roberto Salgado para acusá-lo de crimes. Salgado responde a evasão de divisas, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O advogado afirmou que a acusação se fundamentou no depoimento de uma testemunha do processo, um ex-funcionário, a quem Thomaz Bastos chamou de falsário. Um ex-funcionário do Banco Rural, que foi posto para fora, demitido. Era ocupante de um cargo de terceiro escalão dentro do banco. [...] É um falsário. Está provado numa reclamação trabalhista que ele falsificou um documento, argumentou. Segundo o advogado, não há provas contra seu cliente. Em relação a José Roberto, o que se verifica é que não existe nenhum tipo de prova que não seja contraditório, que não seja esgarçado, que não seja escasso, que possa levar a um juízo condenatório. Executivo morto Assim como fez nas alegações finais entregues ao Supremo, Thomaz Bastos citou o ex-vice-presidente do Banco Rural José Augusto Dumont, que morreu em 2004, como possível responsável pela negociação de empréstimos para o grupo de Marcos Valério. O advogado afirmou que depoimentos de testemunhas mostrariam o fato. Todo o comando, 100% das operações operacionais, estavam na mão de José Augusto Dumont, afirmou citando o depoimento de uma testemunha. Então, quando se formou essa quadrilha, quando começou essa gestão fraudulenta, o José Roberto estava como superintendente de câmbio em área internacional, disse o advogado. Salgado também é acusado de evasão de divisas por, supostamente, ajudar Duda Mendonça a enviar remessas de dinheiro para o exterior. Thomaz Bastos afirmou ainda que o cliente não pode responder por possíveis fraudes ocorridas dentro do banco. O fato de ele ser responsável por uma instituição financeira não significa que ele seja responsável pelos delitos cometidos no âmbito dela. Duplo cuidado. Thomaz Bastos voltou a citar o fato de seu cliente, sem ter foro privilegiado, responder no Supremo e não poder ser julgado pela primeira instância. Ele pediu um duplo cuidado dos ministros do Supremo. É um julgamento de bala de prata, é um julgamento feito uma vez só, é preciso esse duplo cuidado no lugar do duplo grau de jurisdição.


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