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    Assad diz que vai morrer na Síria e ameaça contra intervenção estrangeira


    Por: Sérgio Coutiy / sem data de publicação editada - 08/11/2012 00:00:00

    À medida que os combates se intensificam na capital Damasco, o presidente sírio, Bashar al-Assad, tratou de rejeitar o boato de que possa fugir da Síria e alertou que qualquer intervenção militar ocidental para derrubá-lo teria consequências catastróficas para o Oriente Médio e o mundo. A ideia foi proposta de dar tempo para Assad fugir do país foi dada pelo primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. A declaração foi dada a ao canal de televisão Russia Today. Nesta quinta-feira, grupos da oposição síria se reuníram em Doha para discutir o futuro do país. Em entrevista que será transmitida na sexta-feira, Assad também afirmou que não vê o Ocidente embarcando em uma intervenção militar na Síria e disse que o custo de tal ação seria demasiado. "Eu acho que o custo de uma invasão estrangeira na Síria - se isso acontecer - seria maior do que o mundo inteiro pode suportar... Isto terá um efeito dominó que afetará o mundo desde o Atlântico até o Pacífico", disse Assad. "Eu não acredito que o Ocidente esteja caminhando nessa direção, mas se eles fizerem isso, ninguém pode dizer o que vai acontecer depois", acrescentou. As declarações foram publicadas em árabe no site do Russia Today. Não ficou claro quando Assad deu a entrevista, porém. Oposição Os comentários desafiadores de Assad coincidiram com uma reunião histórica da oposição rebelde da Síria no Catar nesta quinta-feira. O objetivo é firmar um acordo sobre um novo órgão reunindo grupos rebeldes dentro e fora do país, em meio à crescente pressão internacional para preparar para uma transição pós-Assad. Os Estados Unidos e outras potências ocidentais estão cada vez mais frustrados com a oposição por causa das divisões e dos conflitos internos que minaram as chances de derrubar Assad. Apoiadas por Washington, as negociações em Doha salientam o papel central do Catar no esforço para acabar com o regime de Assad, à medida que o país do Golfo Pérsico, que financiou a revolta da Líbia para derrubar Muamar Kadafi, tenta se posicionar como atuante em uma Síria pós-Assad. "Eu sou mais forte do que Kadafi", disse Assad a seu entrevistador, de acordo com um post do editor-chefe da estação no Twitter. 'Viver e morrer' Assad, que está lutando para acabar com uma rebelião de 19 meses contra seu governo, disse que iria "viver e morrer na Síria", no que parecia ser uma rejeição à ideia dada pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, nesta semana de que uma saída segura e um exílio no exterior poderiam ser uma maneira de acabar com a guerra civil na Síria. "Eu não sou um fantoche e o Ocidente não me fabricou para que eu saia para o Ocidente ou qualquer outro país. Sou sírio, sou feito na Síria, e eu tenho que viver e morrer na Síria", disse ele. O site do Russia Today mostrou imagens dele falando na entrevista e descendo as escadas do lado de fora de uma casa branca. Violência Vinte e seis pessoas morreram nos combates entre soldados e rebeldes sírios perto do posto fronteiriço de Rass al Ain, na fronteira com a Turquia, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Os mortos são 16 soldados e 10 rebeldes, indicou a fonte. Também nesta quinta-feira, dois civis, uma mulher e um rapaz, na província fronteiriça turca de Hatay, foram feridos por balas perdidas disparadas da Síria, de acordo com as emissoras locais. Desafios A guerra da Síria, em que a oposição estima morte de 38 mil pessoas, aumenta o espectro de uma turbulência sectária mais ampla no Oriente Médio e representa um dos mais difíceis desafios de política externa para o presidente dos EUA, Barack Obama, prestes a iniciar seu segundo mandato. Rivalidades internacionais e regionais têm complicado os esforços para mediar qualquer resolução para o conflito. Rússia e China vetaram três resoluções do Conselho de Segurança da ONU que teriam colocado Assad sob pressão. Regionalmente, os países sunitas árabes muçulmanos e a Turquia se opõem a Assad, enquanto o xiita Irã está apoiando o governante, que pertence à seita alauíta e cuja família está no poder há mais de 40 anos.


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