Informativo

    A verdade do Fakenews.


    Por: Sérgio Coutiy / publicada - 27/08/2024 13:15:56 editada - 23/06/2026 09:16:28

    O jornal impresso mantém a tradição de tornar público, por meio do editorial, quem são os responsáveis pelo que foi publicado.

  • Para os jornais e jornalistas, o editorial representa um compromisso com o que se afirma -- é uma forma clara de assumir responsabilidade. Nas redes sociais, esse cuidado raramente existe. Muitos conteúdos são postados por perfis anônimos ou com nomes fictícios, movidos por diferentes interesses. Ao mesmo tempo, os administradores dessas plataformas acusam governos e a justiça de tentarem controlar ou censurar publicações. Mas isso soa irônico. É provável que você já tenha sentido que foi bloqueado, silenciado ou ignorado por essas mesmas plataformas. Já notou como certos textos sérios simplesmente não recebem visualizações e não são propagados? Isso ocorre porque, para muitas dessas redes, o interesse não está na relevância do conteúdo -- mas no retorno financeiro. Sem lucro, a publicação é ignorada. Um conteúdo legítimo, verdadeiro, mas que não foi pago para ser impulsionado, é invisibilizado. E mesmo que não seja classificado como irrelevante, não é incluído nos algoritmos de replicação. Que palavra define essa prática? Eu chamo de crime. E isso está longe de ser "social" -- é puramente comercial. Há uma incoerência evidente: quem hoje se diz defensor da liberdade de expressão exige pagamento para que qualquer conteúdo alcance o público. Se não houver investimento, não há cliques, nem visualizações, nem alcance. Isso não é liberdade de expressão -- é comércio de exceção. Sabemos que essas empresas lucram majoritariamente com publicidade. O problema é quando isso compromete a qualidade da informação. Em temas políticos, por exemplo, muitos conteúdos pagos são publicados sem qualquer filtro. O interesse comercial passa à frente da responsabilidade com a verdade. O que se publica nem sempre é verificado. Outro ponto grave é a falta de transparência: o público raramente sabe que está consumindo uma publicação paga. Não há avisos claros, e isso fere princípios básicos da comunicação. A legislação exige que conteúdos patrocinados sejam identificados como publicidade -- justamente para diferenciar o que é notícia legítima do que é conteúdo comercial. Essa distinção é essencial, porque se baseia em regras diferentes. Redes sociais extrapolam limites quando permitem que informações falsas circulem sem qualquer verificação. As fake news, na maioria das vezes, são difamatórias. E quando alguém é alvo de calúnia, a marca fica -- mesmo que se tente apagar. O pior: cabe à vítima provar que a informação é falsa, enquanto quem publicou, muitas vezes, pagou para isso. Se alguém tem conhecimento de algo grave sobre outra pessoa, deve procurar a justiça -- e não publicar em redes digitais de acesso irrestrito. Informação não é produto. Notícia não é mercadoria. É responsabilidade.


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