Banco Central eleva juros para controlar a inflação
O aumento de 0,25% da taxa de juros revela que Dilma já começou a ministrar os remédios amargos para desarmar o mau humor com a economia.
Uma pequena sinalização de que o Governo Dilma pode estar se rendendo à cartilha ortodoxa da economia foi dado nesta quarta-feira. A reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou em 0,25% a taxa de juros de referência do mercado. Desde abril os juros se encontravam no patamar de 11%. Nesta primeira reunião do Copom pós eleição, foi elevado para 11,25%, de olho na inflação que se encontra no teto da meta do BC, de 6,5%. O juro mais alto ajuda a inibir o consumidor a ir às compras, pois encarece as compras do dia a dia. Dos juros do cartão de crédito, às parcelas das vendas financiadas, tudo sobe junto com a taxa Selic. O efeito, porém, só vira dentro de alguns meses. Mas, a alta acaba funcionando com uma barreira para o consumo, e consequente como um inibidor da inflação. Se o consumidor compra menos, os preços tendem a regredir. O comunicado divulgado pelo BC logo após a reunião dos conselheiros explica que o balanço de riscos para a inflação está "menos favorável". "À vista disso, o Comitê considerou oportuno ajustar as condições monetárias de modo a garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e 2016." Traduzindo: o Governo reconhece que a inflação precisa de um remédio mais amargo para evitar o descontrole. Isso, depois de passar a campanha eleitoral afirmando que o dragão inflacionário estava domado. A medida é um pequeno sinal de fumaça para o mercado financeiro, que vem cobrando soluções mais efetivas para atacar os principais problemas do país, entre eles, a inflação. O problema é o efeito colateral desse ajuste: ao mesmo tempo em que o crédito fica mais caro para o comprador, ele também fica mais oneroso para o setor privado, que precisa de dinheiro para investir em seus projetos e ajudar a movimentar a economia. Dessa forma, a atividade econômica que já estava devagar tende a manter a marcha lenta ou, o que é pior, agravar o quadro. Seja como for, os representantes do setor privado já começam a cobrar uma contrapartida do Governo nessa luta contra a inflação. A saída seria reduzir os gastos públicos, uma vez que eles também alimentam a alta inflacionária. "O desafio do país é criar as condições para uma redução sustentada da taxa de juros. A adoção de uma política fiscal restritiva é fundamental para a reversão das expectativas inflacionárias e para que o ciclo de alta dos juros seja o mais curto possível", escreveu a Confederação Nacional da Indústria (CNI), logo após a decisão do Copom. Outras maldades estavam sendo esperadas para este ano, como o anúncio do aumento da gasolina, que está represado para não contribuir com o estouro da meta inflacionária. Mas, diante da decisão do Copom, é possível que o Governo postergue a alta.
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