Informativo

    Crise se agrava na Turquia e protestos ganham todo o país


    Por: Sérgio Coutiy / sem data de publicação editada - 02/06/2013 00:00:00

    Neste domingo, 2 de junho de 2013, milhares de pessoas continuam reunidas na praça Taksim, em Istambul.

  • Dois dias depois do início dos protestos contra um projeto urbano que evoluiu para uma grande manifestação contra a islamização do governo, o clima no país continua tenso e cerca de cem cidades foram palco de confrontos entre policiais e manifestantes. Mais de mil pessoas foram presas desde o começo das passeatas em Istambul, na praça Taksim, há dois dias. Mesmo com a partida dos policiais, ordenada pelo governo, os manifestantes permaneceram no local, comemorando de forma pacífica. O ministro do Interior, Muammer Guler, prometeu que não haveria uma nova invasão das forças da ordem depois da retirada, mas todas as ruas dos arredores continuam fechadas e vigiadas. Se na praça o clima é de calma aparente, a apenas um quilômetro, no bairro de Besiktas (onde o primeiro-ministro tem um escritório), civis e policiais brigaram durante toda a noite. O odor de gás lacrimogênio podia ser sentido em todo o centro, segundo testemunhas, que acusaram os efeitos fortes dos gases utilizados. Mobilização atinge todo o país As violências acabaram ganhando 50 das 81 províncias e cerca de cem cidades registraram conflitos semelhantes aos ocorridos em Istambul. Os mais graves aconteceram em Ankara e Izmir, onde bancos e prédios oficiais foram totalmente incendiados. Em Siva, Antalaya, Sentalya, Samsun, Mersin e Alaïa também houve incidentes. O balanço geral desses dois últimos dias aponta 79 feridos, dos quais 53 civis e 26 policiais. Foram presos quase mil manifestantes em 90 mobilizações ocorridas em 48 cidades. Uma grande parte da população turca está chocada com a violência excessiva utilizada pelas forças de ordem para reprimir os manifestantes; no sábado, o próprio primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan reconheceu o abuso. Reação internacional Estados Unidos e União Europeia já expressaram sua preocupação com o rumo dos acontecimentos na Turquia e a ONG Anistia Internacional não descarta a possibilidade de que duas pessoas tenham morrido. A enviada especial da RFI a Istambul, a jornalista francesa Stéphanie Schüler, não hesita em usar a palavra "insurreição" para definir a situação que perdura no país, sem previsões de uma volta à normalidade.


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